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Pesquisa sob suspeita: erros em documentação e amostragem geram dúvidas sobre levantamento eleitoral em Itabira

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Denúncia apresentada pelo candidato a deputado estadual, Danilo Alvarenga (PRD), aponta inconsistências em levantamento do Instituto Soberano; empresa também aparece em outros processos recentes no TRE_MG envolvendo pesquisas eleitorais em Minas Gerais

Uma pesquisa eleitoral divulgada nesta semana em Itabira abriu uma discussão que vai além dos percentuais apresentados pelos candidatos: qual é o grau de confiabilidade da metodologia utilizada para retratar a intenção de voto do eleitor itabirano? O levantamento do Instituto de Pesquisa Soberano, registrado sob o número MG-04542/2026, passou a ser questionado pelo candidato a deputado estadual Danilo Alvarenga (PRD), que apontou inconsistências na documentação e na composição da amostra utilizada.

O levantamento foi realizado no dia 23 de setembro com 300 eleitores de Itabira e apresenta margem de erro de 5,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa utilizou quotas proporcionais de gênero, idade, escolaridade e renda familiar. Esses dados constam das informações divulgadas sobre o estudo por diferentes veículos de comunicação.

No cenário para deputado estadual, a pesquisa apresentou Núbia Citty (Rede) com 7,3% das intenções de voto, seguida por Danilo Alvarenga (PRD), com 5,7%; Tito Torres (PSD), com 5,3%; e Luiz Carlos de Souza (Podemos), com 4,7%. Outros 52% não souberam ou não responderam.

Referência ao Maranhão está entre os questionamentos

Um dos pontos centrais apresentados na denúncia de Danilo Alvarenga está na documentação atribuída ao registro da própria pesquisa. Segundo o material apresentado pelo candidato, a descrição metodológica contém referência a “residentes e votantes no Maranhão”, além de mencionar uma distribuição envolvendo 62 municípios.

A referência chama atenção porque o levantamento divulgado em Itabira tem como universo declarado os eleitores do município mineiro. O questionamento levantado pelo candidato é sobre o rigor adotado na elaboração e conferência das informações apresentadas no processo de registro da pesquisa.

A inconsistência documental também abre uma questão objetiva: até que ponto as informações registradas representam exatamente o procedimento adotado no trabalho de campo realizado em Itabira?

Distribuição dos entrevistados também é contestada

Outro ponto colocado sob questionamento é a distribuição territorial dos 300 entrevistados. De acordo com os dados apresentados na denúncia, 32,3% das entrevistas teriam sido realizadas em apenas dois setores da cidade, enquanto determinadas áreas da Região Central teriam registrado somente uma ou duas entrevistas.

A discussão, neste caso, não está simplesmente no número total de pessoas ouvidas, mas na capacidade da amostra de representar adequadamente diferentes parcelas do eleitorado itabirano.

A metodologia divulgada pelo levantamento informa que houve seleção dos entrevistados em três etapas e adoção de quotas proporcionais de gênero, idade, escolaridade e renda familiar.

Diante dos questionamentos apresentados, entretanto, a distribuição geográfica das entrevistas e os critérios utilizados para a definição dos pontos de coleta tornam-se elementos importantes para compreender como os 300 entrevistados foram selecionados.

Diferença pequena diante da margem de erro

A forma como os resultados foram apresentados também entrou no debate. Entre os dois primeiros nomes para deputado estadual, a diferença nominal registrada foi de apenas 1,6 ponto percentual: Núbia Citty aparece com 7,3%, enquanto Danilo Alvarenga registra 5,7%.

A própria pesquisa informa margem de erro de 5,7 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Isso exige cautela na leitura dos percentuais. Pesquisas eleitorais representam estimativas produzidas a partir de uma amostra e devem ser interpretadas considerando margem de erro, nível de confiança, metodologia e composição da amostra — especialmente quando as diferenças nominais observadas são pequenas.

Instituto enfrenta outros questionamentos na Justiça Eleitoral

Os questionamentos em Itabira surgem no mesmo momento em que o Instituto de Pesquisa Soberano figura em outros processos envolvendo pesquisas eleitorais em Minas Gerais.

Em um caso recente envolvendo a pesquisa MG-04240/2026, diferente do levantamento realizado em Itabira, a Justiça Eleitoral determinou cautelarmente a suspensão da divulgação dos resultados. A representação tramita sob o número 0600037-75.2026.6.13.0331 e tem o Instituto Soberano entre os representados.

Segundo informações sobre a decisão, foram apontadas dúvidas objetivas sobre a regularidade do levantamento, incluindo informações que não estariam integralmente disponíveis no registro dentro do prazo e alterações de bairros e municípios posteriormente realizadas no cadastro da pesquisa. O magistrado determinou a suspensão da divulgação enquanto o caso é analisado.

A decisão tem caráter cautelar e não corresponde a julgamento definitivo daquele processo. A reportagem que teve acesso à decisão informa ainda a existência de outras três representações relacionadas à mesma pesquisa MG-04240/2026, consideradas conexas para processamento conjunto.

Consulta a registros processuais também mostra o Instituto Soberano figurando em outros processos eleitorais em Minas Gerais relacionados à divulgação e regularidade de pesquisas.

Os casos são independentes e não permitem transportar automaticamente eventuais questionamentos de um levantamento para outro. O histórico recente, contudo, amplia a relevância dos pedidos de esclarecimento sobre os procedimentos adotados na pesquisa realizada em Itabira.

Debate passa pela credibilidade da informação eleitoral

Mais do que uma disputa entre candidatos, o episódio coloca em evidência a responsabilidade envolvida na produção e divulgação de pesquisas durante o período eleitoral. Levantamentos dessa natureza ajudam a construir a percepção pública sobre o cenário político e, por isso, dependem de procedimentos metodológicos claros, documentação consistente e transparência na apresentação dos resultados.

No caso de Itabira, as dúvidas levantadas agora estão concentradas justamente nesses pontos: a referência ao Maranhão na documentação apresentada pela denúncia, a distribuição territorial dos entrevistados, a composição da amostra e a interpretação dos resultados diante da margem de erro declarada.

O Instituto Soberano afirma, em seu site institucional, que trabalha com pesquisas quantitativas baseadas em cotas representativas e que atua em respeito às normas da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), destacando transparência, profissionalismo e imparcialidade entre seus princípios.

Diante das questões levantadas, cabe agora ao instituto esclarecer as inconsistências apontadas e detalhar os procedimentos utilizados no levantamento MG-04542/2026, permitindo que os próprios dados, documentos e critérios metodológicos ofereçam respostas às dúvidas surgidas em torno da pesquisa.