A capital mineira volta a ser palco de um dos maiores eventos de arte pública do país. A 5ª edição da Festa da Luz começou nesta quinta-feira (25) e segue até domingo (28), transformando o hipercentro de Belo Horizonte em uma grande galeria a céu aberto. Com entrada gratuita, o festival reúne projeções monumentais, instalações luminosas, performances, música e experiências interativas, consolidando-se como o maior evento do gênero em Minas Gerais.
As atividades acontecem diariamente, das 18h às 23h, em um circuito que conecta importantes marcos históricos e arquitetônicos da cidade. Entre os espaços participantes estão a Praça da Estação, o Viaduto Santa Tereza, a Rua Sapucaí, a Praça Fuad Noman, o Parque Municipal e a Praça Rui Barbosa, todos ocupados por intervenções artísticas que convidam o público a redescobrir o centro da capital sob uma nova perspectiva.
Neste ano, o festival apresenta como tema “O Brasil é América Latina”, destacando a proximidade cultural entre o Brasil e seus países vizinhos por meio da arte contemporânea, da tecnologia e das manifestações populares. A abertura foi marcada por um cortejo do grupo Ori Samba, que percorreu as ruas do centro, seguido pela estreia da Mostra Latino-Americana de Videomapping na Praça da Estação. As projeções ocuparam a fachada do Museu de Artes e Ofícios com obras produzidas por artistas da Bolívia, Colômbia, Guatemala, Uruguai e outros países da região.
A programação reúne mais de 80 artistas brasileiros e internacionais, explorando temas como ancestralidade, inovação tecnológica e identidade cultural. Entre os destaques está a artista Fefê Talavera, que apresenta as esculturas infláveis monumentais “Filhos do Sopro”, inspiradas nos tradicionais alebrijes mexicanos e distribuídas entre os edifícios Sulacap e Sulamérica.
Na Rua Sapucaí, o coletivo mexicano Ocote exibe a instalação “TolTech”, que combina referências da cultura tolteca com elementos da estética digital. Já o artista indígena Gustavo Caboco assina a obra “Pedras de Duwid ou Boca de Marte”, instalada no Parque Municipal.
A interação com o público também ganha espaço na programação. Na Praça Rui Barbosa, Rafael Ski apresenta “Céu em Nós”, um painel de LED que reage aos movimentos dos visitantes, enquanto Luiz Carlos Oliveira transforma a fachada da antiga Rede Ferroviária, na Sapucaí, em um videogame interativo, permitindo que o público participe da construção de uma cidade digital projetada no edifício.
Outra instalação inédita é assinada pela artista paraense Roberta Carvalho, que utiliza as águas do Parque Municipal como suporte para sua obra, ampliando a experiência sensorial proposta pelo festival.
Além das atrações visuais, a Festa da Luz conta com intensa programação musical e performática. Na sexta-feira (26), o tradicional Duelo de MCs ocupa o Viaduto Santa Tereza, com participação especial do rapper Max B.O. Também integram a programação apresentações itinerantes do Trovão Tropical, Circo Gamarra, Siriara, WIGokê e o encerramento, no domingo, com o coletivo Boi Livre BH.
O evento ainda promove debates e oficinas no Espaço Cemig. Entre os convidados está o cenógrafo e diretor de arte Batman Zavarese, que participa de encontros sobre arte e inteligência artificial, além de atividades conduzidas pelo coletivo Gambiologia.
Ao unir patrimônio histórico, inovação tecnológica e produção artística contemporânea, a Festa da Luz reafirma Belo Horizonte como referência nacional em intervenções urbanas e democratização do acesso à cultura, oferecendo ao público uma experiência gratuita que transforma a paisagem da cidade durante quatro noites.
