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Imagem: Fernando Piancastelli

Vale aposta em reaproveitamento de rejeitos e amplia mineração circular em Minas Gerais

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A Vale deu mais um passo em sua estratégia de sustentabilidade ao implementar um novo projeto voltado à mineração circular na mina de Gongo Soco, localizada em Barão de Cocais (MG). A proposta consiste no reaproveitamento de rejeitos de uma estrutura desativada, com o objetivo de reduzir resíduos, aumentar a segurança e gerar valor a partir de materiais que antes seriam descartados.

A iniciativa reforça o papel de Minas Gerais como um dos principais polos da produção de minério de ferro oriundo de fontes circulares. Em 2024, a companhia registrou um crescimento expressivo nesse segmento, mais do que dobrando sua produção e alcançando 26,3 milhões de toneladas — um avanço de 107% em relação ao ano anterior. Desse total, cerca de 80% foi produzido no estado.

Paralisada desde 2016, a mina de Gongo Soco passa a integrar esse novo modelo com a implantação de uma usina dedicada ao processamento de rejeitos. O material utilizado será proveniente das obras de descaracterização da barragem Sul Superior e de duas pilhas existentes na unidade. A capacidade estimada da planta é de aproximadamente 2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

De acordo com Juliana Cota, diretora de Minas Paralisadas do Corredor Sudeste da Vale, o projeto foi desenvolvido para operar de forma sustentável e em sintonia com o processo de descaracterização da barragem. Segundo ela, a escolha pela tecnologia de concentração magnética permite ampliar a recuperação do minério presente nos rejeitos, com aproveitamento progressivo ao longo dos próximos anos, conforme o cronograma das intervenções na estrutura.

A barragem Sul Superior, cuja descaracterização está prevista para ser concluída em 2029, integra o Programa de Descaracterização de Estruturas a Montante da empresa. Até o momento, 19 das 30 estruturas previstas já foram eliminadas, o que representa 63% de execução do plano.

A nova usina será instalada na área onde funcionava a antiga planta de Gongo Soco, concentrando a movimentação de materiais dentro da própria unidade. O transporte da produção será realizado pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Segundo o engenheiro responsável pelo projeto, Luis Gustavo Silva, a proposta inclui o uso de uma tecnologia mais compacta e uma engenharia modular, o que deve tornar a obra mais rápida, reduzir custos e diminuir a emissão de gases de efeito estufa.

A previsão é que a construção da usina seja concluída em cerca de 19 meses, com início das operações programado para o próximo ano, respeitando todas as exigências de licenciamento ambiental e regulamentação vigente.

O projeto faz parte do programa Waste to Value, iniciativa da Vale voltada à transformação de rejeitos e estéreis em novos produtos. A estratégia busca reduzir a geração de resíduos, otimizar o uso dos recursos minerais e ampliar a sustentabilidade das operações.

Além de Gongo Soco, Minas Gerais já concentra outras iniciativas de mineração circular da empresa, como as operações nas minas de Capanema e Vargem Grande. A companhia também investe na produção de coprodutos a partir de rejeitos, como a Areia Sustentável e os blocos fabricados na Mina do Pico.

Até 2030, a expectativa da Vale é que cerca de 10% de sua produção anual de minério de ferro tenha origem em fontes circulares, consolidando o avanço da empresa em direção a práticas mais responsáveis na indústria mineral.