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QUANDO A CAMPANHA POLÍTICA VIRA POLUIÇÃO VISUAL

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Basta circular por Itabira para perceber que a campanha eleitoral já tomou conta da paisagem urbana. Praças, vias, esquinas, estabelecimentos e diferentes espaços estão preenchidos por bandeirolas, wind banners, cartazes e rostos de candidatos disputando cada centímetro do nosso campo de visão.

Parece ter se estabelecido uma lógica bastante simplista: quem aparece mais, conquista mais votos.

Será?

Marketing político e comunicação eleitoral são muito mais complexos do que espalhar uma fotografia acompanhada de nome e número pela cidade. Exposição gera lembrança, evidentemente. Mas lembrança não significa preferência. E preferência, muito menos, significa voto.

Uma boa campanha precisa construir posicionamento. Precisa apresentar ideias, propostas e causas. Precisa compreender o eleitor, estabelecer diálogo, conhecer os problemas da comunidade e, principalmente, oferecer razões para que alguém escolha determinado candidato entre tantos outros.

Transformar comunicação política em uma competição para descobrir quem coloca mais bandeirolas nas ruas é reduzir o marketing a uma espécie de campeonato de poluição visual.

E chama a atenção a quantidade de candidatos, inclusive muitos de primeira viagem, embarcando nessa estratégia como se houvesse uma fórmula pronta: imprimir, espalhar, repetir e esperar a urna responder.

Não funciona exatamente assim.

Há ainda outra questão que merece ser feita: quais são os limites dessa ocupação da paisagem urbana?

A Justiça Eleitoral estabelece regras para a propaganda eleitoral. Se existem normas específicas aplicáveis a esses materiais e aos locais onde estão sendo instalados, elas estão sendo cumpridas? Quem fiscaliza? Como ocorre essa fiscalização? E até onde termina a propaganda legítima e começa a ocupação indiscriminada dos espaços da cidade?

São perguntas pertinentes em uma eleição na qual, aparentemente, a quantidade de material exposto tornou-se argumento de campanha.

Comunicação política eficiente não é aquela que consegue colocar o candidato em todos os lugares.

É aquela que consegue colocá-lo na cabeça do eleitor pelo motivo certo.

Porque eleição não se vence na quantidade de bandeirolas penduradas pela cidade.

No fim das contas, ainda é na urna que descobrimos a enorme diferença entre ser visto e ser escolhido.