Projeto do Instituto Social Actus, financiado pelo FIA/CMDCA, conclui o primeiro ciclo com 94% de aprovação, gera indicadores inéditos sobre as famílias e abre nova turma em novembro em Itabira
Os participantes da primeira turma do Projeto Escola de Pais Conscientes, do Instituto Social Actus, terminaram o curso rejeitando muito mais a violência como forma de educar. A aceitação da palmada caiu de 74% para 26%, segundo o Questionário de Crenças Parentais aplicado no início e no final do ciclo. O curso foi avaliado como excelente ou bom por 94% dos participantes, e uma nova turma começa em novembro.
A primeira turma reuniu 40 participantes em 6 encontros, realizados no Fórum de Itabira. As famílias participam por convocação, mediante indicação do Ministério Público de Minas Gerais, o que direciona o projeto a quem mais precisa de apoio. Ao longo do ciclo, pais, mães e cuidadores receberam ferramentas práticas para desenvolver competências parentais e lidar com conflitos sem violência.
O principal diferencial do projeto é medir a mudança. Antes e depois do curso, os participantes responderam a 35 afirmações sobre educação dos filhos. A concordância média com crenças punitivas, como “bater para educar não é ser agressivo”, caiu de 45% para 25%, quase pela metade. Das 35 afirmações, 32 evoluíram na direção esperada.

As mudanças mais expressivas envolvem o castigo físico. A ideia de que “é melhor eu bater no meu filho em casa do que a polícia na rua” caiu de 79% para 26% de concordância. A crença de que “pai e mãe não precisam fazer curso para aprender a cuidar dos filhos” passou de 57% para 19%. Ao final, todos os participantes que responderam concordaram que as crianças cooperam mais quando participam da construção das regras da casa.

Visto pelo outro lado, o número de pais que rejeitam essas crenças cresceu de forma expressiva. A rejeição à ideia de que crianças precisam apanhar para ter limites passou de 33,3% para 77,8%. A rejeição à palmada como forma aceitável de disciplina foi de 17,6% para 60%. Também cresceu a rejeição à justificativa de bater nos filhos para evitar problemas futuros com a polícia, de 12,1% para 52,6%. Mais pais passaram a entender que precisam de formação para educar (de 32,4% para 76,2%) e que acolher a raiva da criança não significa ausência de limites (de 29,4% para 61,9%).

Os números confirmam o que vimos em cada encontro. Pais que chegaram acreditando que a palmada era necessária saíram com ferramentas para educar com firmeza e afeto, sem violência”, afirma Marina (Nina) Magalhães, coordenadora do projeto.
A avaliação do curso pelos próprios participantes também foi positiva. Na avaliação final, 94% classificaram a experiência como excelente ou boa. No meio do ciclo, no 3º encontro, 96,6% já avaliavam os encontros como ótimos. Temas, dinâmicas, clareza das explicações e acolhimento não receberam nenhuma nota regular ou ruim.

O aprendizado já chegou em casa: 89% dos participantes percebem mudanças na relação com os filhos, e 78% já colocaram em prática as ferramentas dos encontros. O avanço mais citado foi resolver conflitos, apontado por 78%. “Mesmo na metade do curso já me sinto mais preparada para lidar com meus filhos e netos”, escreveu uma participante. Outro resumiu: “Aprendi a gritar menos”.

O alcance vai além dos 40 participantes. Considerando a média de 2,79 moradores por domicílio no Brasil (IBGE, Censo 2022), cerca de 112 pessoas, entre filhos e demais moradores, convivem diretamente com as mudanças aprendidas no curso.

Os dados devem subsidiar a rede de proteção, que reúne o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Conselho Tutelar, a Secretaria Municipal de Assistência Social, o CMDCA e a Prefeitura de Itabira. A prevenção também tem impacto econômico: cada caso de violência evitado reduz atendimentos na saúde, na assistência social e na justiça. Como referência, manter uma única criança em acolhimento institucional custa cerca de R$ 66 mil por ano, segundo valores pagos pela Prefeitura de Curitiba em 2026.

Com base nos resultados do primeiro ciclo, a segunda turma tem início previsto para de novmbro/2026, também no Fórum de Itabira, com participação gratuita. O projeto é financiado com recursos do Fundo da Infância e Adolescência (FIA), por meio do Termo de Fomento nº 037/2026, celebrado com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), com apoio da Prefeitura Municipal de Itabira.
Sobre os dados: os percentuais de crenças comparam 37 questionários aplicados no início com 21 aplicados no final da turma. A avaliação do curso teve 18 respostas no final e 29 no 3º encontro.
A voz de quem participou
Além dos números, o Instituto Social Actus produziu um vídeo-resumo da primeira turma com depoimentos de participantes. Pais, mães e cuidadores contam, com as próprias palavras, o que mudou na forma de educar e de se relacionar com os filhos depois dos encontros.
Dar voz a esse público é parte do propósito do projeto. São famílias que chegaram por indicação da rede de proteção e que, muitas vezes, só aparecem nas estatísticas de violência. Reconhecer o esforço delas em aprender e mudar mostra à sociedade que a prevenção funciona: quando recebem orientação e acolhimento, as famílias se transformam.
Os depoimentos também reforçam por que iniciativas como a Escola de Pais Conscientes fazem sentido como política pública. Eles mostram que o investimento do FIA e da rede de proteção chega à vida real das famílias e, por meio delas, às crianças de Itabira.
Assista ao vídeo:
Os depoimentos dos participantes mostram que a mudança já chegou ao dia a dia das famílias. Uma mãe contou que, num momento difícil, trocou a briga por um abraço e ouviu do filho um agradecimento por ter uma mãe que se importa. Outra participante, com apenas dois encontros, trocou o grito pelo olho no olho e conseguiu a cooperação do sobrinho. “Eu só tenho a agradecer por tudo que a gente tá aprendendo aqui”, resumiu uma das mães.

Sobre o Instituto Social Actus
Fundado em julho de 2024, o Instituto Social Actus é uma organização sem fins lucrativos que atua gratuitamente na promoção da transformação social e na melhoria da vida de crianças, adolescentes, adultos e idosos em situação de vulnerabilidade, com ações nas áreas de esporte, cultura, tecnologia, meio ambiente, causa animal, direitos humanos, saúde, cidadania e empregabilidade. O presidente da instituição é Thiago de Carvalho Jacques. A coordenação do Projeto Escola de Pais Conscientes é de Marina (Nina) Magalhães, terapeuta ocupacional, mestre em Educação e Saúde e educadora parental. A gestão financeira e executiva do projeto está a cargo de Jackson Faustino e Suzana Felix Guedes.
