No momento, você está visualizando Usina Modelo Conceição II coloca Itabira na vanguarda da mineração automatizada no Brasil
Foto: Alan Henrique/Ascom Metabase Itabira

Usina Modelo Conceição II coloca Itabira na vanguarda da mineração automatizada no Brasil

A inauguração da Usina Modelo Conceição II marca um novo capítulo na história da mineração brasileira e reforça o protagonismo de Itabira no setor. Apresentada à imprensa nesta quarta-feira (10), a nova planta da Vale é a primeira do país a operar de forma totalmente automatizada, integrando tecnologias de automação, inteligência artificial e análise de dados em larga escala.

Com investimento de R$ 200 milhões e capacidade para processar 11,2 milhões de toneladas por ano, a unidade representa um avanço significativo para a indústria mineral. Durante a apresentação, o presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região, André Viana Madeira, destacou a importância do empreendimento para o município e para o futuro da mineração nacional.

Segundo ele, a cidade que viu nascer a Vale há 84 anos agora presencia o surgimento de um novo modelo de mineração, alinhado às demandas de sustentabilidade, eficiência e inovação tecnológica.

“É o futuro da mineração acontecendo aqui agora, em Itabira, berço da Vale que continua apresentando inovações tecnológicas e avançando nesse novo modelo de mineração circular e sustentável”, afirmou.

Tecnologia aliada à preservação dos empregos

Embora reconheça os benefícios da automação, André Viana ressaltou que a modernização deve caminhar junto com a valorização dos trabalhadores. De acordo com ele, a implantação do novo sistema ocorreu sem perda significativa de postos de trabalho, graças aos investimentos em qualificação profissional.

“A empresa está inovando sem perder a essência e também preservando os postos de trabalho. A ampla maioria das pessoas que estão operando remotamente hoje são aquelas que antes trabalhavam manualmente. Foram treinadas para isso. Melhorou o ambiente de trabalho, melhorou a saúde e a segurança”, destacou.

O dirigente sindical enfatizou ainda que a adaptação às novas tecnologias é uma necessidade para trabalhadores e empresas em um cenário de rápidas transformações globais.

Itabira mantém tradição de inovação

Ao abordar a trajetória da mineração local, André Viana lembrou que Itabira já protagonizou momentos importantes de inovação no setor. Entre eles, a implantação da concentração de itabiritos na década de 1970, por meio da Usina Cauê, e o aproveitamento do itabirito compacto, material que anteriormente era considerado rejeito.

Para o sindicalista, a nova usina representa a continuidade desse processo histórico e posiciona o município em sintonia com as transformações da mineração mundial.

Ele também destacou que os avanços precisam alcançar toda a cadeia logística do minério, incluindo ferrovias e portos, para garantir competitividade diante das mudanças que vêm ocorrendo no mercado internacional.

Ganhos de produtividade e sustentabilidade

O diretor de Operações do Complexo de Itabira, Diogo Monteiro, afirmou que os resultados obtidos durante o projeto piloto já demonstram os benefícios da modernização.

Segundo ele, a operação remota aumentou a segurança dos trabalhadores e permitiu maior eficiência na tomada de decisões, reduzindo a necessidade de intervenções manuais.

“O time que estava no dia a dia agora trabalha na sala remota, com mais segurança e conforto. A Usina Modelo é um exemplo claro de uma empresa mais segura, mais eficiente e mais sustentável”, afirmou.

De acordo com Monteiro, em menos de dois anos a unidade registrou aumento de 25% na produtividade, alcançando sua capacidade nominal de produção. Houve também crescimento de 40% na produção de produtos premium, como o pellet feed de redução direta, considerado estratégico para os processos de descarbonização da siderurgia.

Os avanços ambientais também foram destacados. A modernização permitiu reduzir em 26% o teor de ferro presente nos rejeitos e elevar para 92% o índice de recirculação da água utilizada no processo produtivo.

Capacitação para a mineração do futuro

A implantação do novo modelo exigiu um amplo programa de qualificação profissional. Todos os 122 operadores, instrumentistas e líderes da usina passaram por treinamentos que somaram mais de 2.800 horas de capacitação.

A Vale utilizou simuladores e ferramentas de realidade virtual para preparar os empregados para a nova rotina operacional, baseada em controle remoto e monitoramento digital.

O projeto contou ainda com a parceria da ABB, empresa referência mundial em automação e eletrificação industrial, responsável por apoiar a implementação das tecnologias que integram a sala de controle da usina.

Três marcos para Itabira em 2026

Durante a apresentação, André Viana apontou três acontecimentos que considera fundamentais para o futuro econômico do município: a anuência para o reúso de rejeitos, a ampliação da vida útil das reservas minerais da Vale em Itabira e a inauguração da Usina Modelo Conceição II.

Para ele, essas conquistas representam oportunidades importantes para a cidade, desde que sejam acompanhadas por investimentos contínuos, qualificação profissional e diálogo entre empresa e trabalhadores.

“Queremos que o avanço corporativo se transforme também em progresso para aqueles que fazem esta empresa ser a gigante global que nasceu em Itabira para se tornar uma das maiores mineradoras do mundo”, concluiu o presidente do Metabase.