Vale reinaugura Mina Capanema e anuncia R$ 67 bilhões em investimentos em Minas até 2030
Projeto prevê operação sem barragens, inovação tecnológica e foco na sustentabilidade
A Vale reinaugurou, na manhã de quinta-feira (4), a Mina Capanema, localizada entre Santa Bárbara, Ouro Preto e Itabirito, na região Central de Minas Gerais. A retomada das atividades, após 22 anos de paralisação, marca uma nova fase para a mineradora no Estado e foi acompanhada do anúncio de um amplo plano de investimentos: R$ 67 bilhões serão aplicados em Minas até 2030, com foco em produção mais segura, sustentável e inovadora.
O evento contou com a presença do governador Romeu Zema (Novo), do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), do presidente do Sindicato Metabase, André Viana Madeira, além de autoridades municipais e estaduais.
Durante a solenidade, Zema destacou o impacto regional do empreendimento:
“A mina tem uma expectativa de vida superior a 20 anos e vai trazer prosperidade para a região, qualificando fornecedores locais e gerando oportunidades. Esse avanço mostra que, em Minas, a mineração segue um caminho diferente daquele que vimos no passado”, afirmou.
Operação moderna e sem barragens
Com investimento de R$ 5,2 bilhões, a Mina Capanema foi modernizada para operar a umidade natural, ou seja, sem uso de água no processamento do minério e sem geração de rejeitos, eliminando a necessidade de barragens.
O projeto inclui caminhões fora de estrada autônomos e soluções de mineração circular, como o reaproveitamento de minério contido em antigas pilhas de estéril. A unidade terá capacidade de produção de 15 milhões de toneladas por ano (Mtpa), contribuindo para a meta da Vale de alcançar entre 340 e 360 Mtpa até 2026.
Durante as obras, que duraram cinco anos, cerca de 6 mil trabalhadores foram mobilizados, com prioridade para a contratação de mão de obra local. Na fase operacional, a mina contará com aproximadamente 800 empregados diretos.
O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, reforçou o novo posicionamento da empresa no Estado:
“Minas Gerais está no centro da transformação da Vale. Capanema simboliza uma mineração mais responsável, com tecnologia e inovação aplicadas para o melhor aproveitamento dos recursos minerais e para a descarbonização”, destacou.
Plano de investimentos para transformar a mineração
Os R$ 67 bilhões anunciados serão destinados a modernizar os cinco complexos operacionais da Vale em Minas Gerais. Entre as principais metas estão a redução do uso de barragens de 30% para 20% e a ampliação do empilhamento a seco e da filtragem de rejeitos.
Segundo Rogério Nogueira, vice-presidente executivo Comercial e de Desenvolvimento da Vale, o Estado tem papel estratégico na produção de minério de ferro de alta qualidade.
“Esse portfólio é essencial para a produção de aço com menor emissão de gases de efeito estufa, contribuindo diretamente para a descarbonização da indústria siderúrgica”, explicou.
O plano também prevê investimentos em conectividade, renovação de frota, monitoramento geotécnico e eliminação de estruturas a montante. Atualmente, 60% do Programa de Descaracterização de Barragens da Vale já foi concluído. Das 13 estruturas remanescentes, oito estão em obras e todas são monitoradas 24 horas por dia pelos Centros de Monitoramento Geotécnico da empresa.
Mineração circular e geração de empregos
Desde 2020, a Vale vem adotando práticas de mineração circular, reaproveitando rejeitos de minas em descaracterização. Em 2025, somente no primeiro semestre, foram produzidas 9 milhões de toneladas a partir desse modelo — crescimento de 14% em relação ao mesmo período de 2024.
Há expectativa de que, até 2030, 10% da produção total da mineradora venha de fontes circulares, sendo que Minas Gerais já responde por 80% desse volume. Entre as iniciativas de destaque estão a produção de Areia Sustentável, que já comercializou mais de 3 milhões de toneladas em dois anos, e a Fábrica de Blocos de Itabirito, que transforma rejeitos em materiais para a construção civil.
O plano deve gerar cerca de R$ 440 milhões por ano em royalties e movimentar R$ 3 bilhões anuais em salários, beneficiando aproximadamente 60 mil profissionais entre empregados diretos e terceirizados.
Compromisso socioambiental
Além de fomentar a economia, a Vale mantém ações voltadas à cultura e ao meio ambiente em Minas Gerais. Entre 2020 e 2024, foram investidos R$ 370 milhões em 335 projetos culturais, alcançando mais de um milhão de pessoas em 45 municípios.
No campo ambiental, a mineradora protege 73 mil hectares de áreas verdes no Estado — mais de duas vezes o tamanho de Belo Horizonte. Parte desse território é composta por 13 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), além de áreas destinadas à criação de novas reservas em parceria com órgãos ambientais.
Importância estratégica para Minas
Em 2023, as operações da Vale representaram 3,5% do PIB mineiro, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O Estado foi responsável por 45% da produção total de minério de ferro da companhia nos últimos dois anos, consolidando-se como centro estratégico para a transformação da empresa.
Com a retomada da Mina Capanema e os novos investimentos, a Vale projeta um futuro mais sustentável, com operações que conciliam produtividade, inovação e responsabilidade socioambiental, reforçando o papel de Minas Gerais no cenário global da mineração.

