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HNSD AFIRMA QUE DR. MARCO GOMES UTILIZOU DEPENDÊNCIAS DO HOSPITAL PARA “INTERESSES POLÍTICOS PESSOAIS”

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Em nota oficial, instituição lamentou a conduta do médico e vice-prefeito de Itabira, que teria gravado, durante o horário de trabalho, um vídeo com críticas relacionadas à gestão da saúde municipal

O Hospital Católico Nossa Senhora das Dores (HNSD) divulgou, nesta segunda-feira (3), uma nota oficial em resposta às declarações feitas pelo médico e vice-prefeito de Itabira, Marco Antônio Gomes, sobre a gestão do Pronto-Socorro Municipal.

No documento, a instituição afirma que Marco Gomes, integrante do corpo clínico e coordenador do serviço de Hemodiálise, gravou um vídeo para suas redes sociais durante o horário de trabalho e dentro das dependências do hospital.

O HNSD classificou a utilização do espaço como indevida e associou a manifestação a interesses políticos particulares.

“Lamentamos o posicionamento do médico, que também responde como coordenador da Hemodiálise, ao gravar um vídeo para suas redes sociais, em horário de trabalho nas dependências do HNSD, fazendo uso indevido do espaço que deve ser utilizado para cuidar da saúde das pessoas e não para fins de interesses políticos pessoais”, afirma a nota.

Na sequência, a direção do hospital declarou esperar que candidatos realizem suas atividades políticas em espaços apropriados, preservando os ambientes destinados ao atendimento da população.

“Esperamos que os candidatos façam a política de forma responsável nos espaços apropriados para isso e não naqueles em que deveriam se dedicar unicamente ao cuidado à população”, complementou a instituição.

Marco Antônio Gomes teve o nome confirmado durante as convenções da federação formada por PRD e Solidariedade para disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026. Além de vice-prefeito, ele atua como médico nefrologista e integra o corpo clínico do HNSD.

Declarações motivaram auditoria externa
A manifestação do hospital ocorre após a Prefeitura de Itabira anunciar a contratação de uma auditoria externa para avaliar a execução do contrato de gestão do Pronto-Socorro Municipal, administrado pelo HNSD em parceria com o Município há mais de 20 anos.

A decisão foi tomada depois de Marco Gomes publicar declarações relacionadas à falta de investimentos e a possíveis desvios de recursos na área da saúde. Segundo a administração municipal, a auditoria deverá verificar o cumprimento das obrigações contratuais, os fluxos assistenciais, a aplicação dos recursos públicos e a eficiência operacional da unidade.

Na ocasião, o controlador-geral do Município, Hugo Gomes, afirmou que as declarações do vice-prefeito foram recebidas com surpresa e que os fatos seriam apurados por meio de procedimentos técnicos.

“A gestão não trabalha com especulações, mas com evidências e procedimentos técnicos”, declarou o controlador-geral na nota divulgada pela Prefeitura.

Hospital contesta acusações
Em seu posicionamento, o HNSD classificou como improcedentes as acusações relacionadas à falta de investimentos e a possíveis desvios de verbas. A instituição afirmou que sua atuação é pautada pela seriedade, pela conduta ética e pela transparência.

O hospital também ressaltou que a Prefeitura acompanha diariamente a execução do contrato do Pronto-Socorro. Segundo a nota, o trabalho é fiscalizado em tempo real por servidores municipais e pela Comissão de Acompanhamento do Contrato, composta por representantes da Secretaria Municipal de Saúde, do Conselho Municipal de Saúde e do próprio HNSD.

A direção acrescentou que as prestações de contas são realizadas mensalmente, com apresentação de notas fiscais e comprovantes de pagamentos. Conforme o hospital, durante as mais de duas décadas de parceria, não teria sido identificado qualquer indício capaz de comprometer a imagem ou a conduta da instituição.

Sobrecarga no Pronto-Socorro
Outro argumento apresentado pelo HNSD diz respeito ao perfil dos pacientes que procuram o Pronto-Socorro Municipal. De acordo com a instituição, embora a unidade seja destinada a atendimentos de urgência e emergência, aproximadamente 75% das demandas são classificadas nas cores azul e verde pelo Protocolo de Manchester.

Essas classificações representam, segundo o hospital, casos que poderiam ser atendidos inicialmente pelas unidades da atenção básica, o que contribuiria para reduzir a sobrecarga no Pronto-Socorro.

A Prefeitura também informou que a unidade recebe pacientes de outros 12 municípios da microrregião e atribuiu a superlotação a fatores como o aumento dos atendimentos de baixa complexidade, a pressão sobre a rede hospitalar e o crescimento dos casos de doenças respiratórias.

Ao encerrar a nota, o HNSD destacou seus 167 anos de atuação e afirmou que permanecerá concentrado no cuidado, no acolhimento e na assistência à população.

A auditoria externa ainda deverá ser contratada e realizada pela Prefeitura. Até a conclusão do procedimento, as afirmações sobre eventuais desvios ou irregularidades permanecem como alegações que deverão ser apuradas pelos órgãos responsáveis. O espaço permanece aberto para manifestação de Marco Antônio Gomes sobre o conteúdo da nota divulgada pelo hospital.