Curso reuniu cerca de 50 participantes, desenvolveu duas propostas de projetos e levou 11 grupos e entidades à etapa de mentoria, com foco em organização, financiamento e autonomia
A experiência de pensar a cultura também a partir da organização, da administração e da busca por recursos foi o eixo da Jornada de Gestão Cultural e Elaboração de Projetos, realizada pelo Grupo Galpão em Itabira, com patrocínio da Vale. Ao longo de dois meses, artistas, produtores, gestores, coletivos e representantes de entidades culturais participaram de atividades que combinaram formação, troca de experiências, exercícios práticos e acompanhamento de organizações.
A programação foi construída em diferentes frentes. A primeira etapa, realizada de 6 a 9 de julho, apresentou fundamentos da produção e da gestão cultural para cerca de 50 participantes. Entre os assuntos trabalhados estiveram organização de equipes, empreendedorismo, políticas públicas de cultura, relacionamento com empresas, elaboração de propostas, fontes de financiamento, marketing e ferramentas administrativas aplicadas ao setor.
Romulo Avelar, um dos ministrantes da Jornada, conduziu essa etapa e encontrou uma turma formada por pessoas com experiências distintas. A maioria vivia em Itabira, mas também havia participantes de municípios da região do Médio Piracicaba e de cidades como Ipatinga e Belo Horizonte. Músicos, atores, profissionais ligados à literatura e à memória e gestores de empresas e organizações da sociedade civil estiveram entre os participantes.
“A turma foi bastante diversa e reuniu tanto profissionais experientes na realização de projetos culturais quanto pessoas interessadas em se aproximar desse universo”, diz Romulo Avelar.
A diversidade dos perfis também revelou a dimensão do movimento cultural existente em Itabira e região. A presença de dirigentes de organizações da sociedade civil, por exemplo, mostrou a existência de entidades estruturadas e interessadas em ampliar sua atuação e acessar oportunidades de financiamento em diferentes esferas.
Para Romulo, a estrutura existente entre as entidades locais também abre possibilidades para ampliar a busca por financiamento: “A existência desse conjunto de entidades já estruturadas abre espaço para a busca de recursos não apenas em nível municipal, mas também nas esferas nacional ou mesmo internacional”.
Da produção à elaboração de propostas
Outra frente da programação foi conduzida por Flaviano Souza e Silva, ministrante da Jornada, que trabalhou especificamente a elaboração de projetos e os caminhos para apresentação de propostas à Lei Rouanet.
A atividade partiu da orientação sobre o cadastro no Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (SALIC) e avançou para uma experiência prática. Em um processo colaborativo, artistas
de Itabira desenvolveram duas propostas, uma voltada à realização de um festival para valorizar talentos locais e outra destinada à formação de artistas do município.
A proposta de Flaviano, entretanto, não era apenas fazer com que aquelas duas iniciativas fossem cadastradas. O trabalho buscou oferecer aos participantes condições para que eles próprios pudessem reproduzir o processo em outras oportunidades.
“Mais do que chegar ao cadastro dessas duas propostas, o meu objetivo na jornada foi deixar um conhecimento que permanecesse com os participantes: a capacidade de, a partir de agora, estruturarem e inscreverem seus próprios projetos no SALIC com mais segurança e autonomia”, explicou Flaviano Souza e Silva.
Para o ministrante, a passagem por Itabira também serviu para conhecer mais de perto a realidade de quem produz cultura no município. A experiência mostrou, de um lado, a existência de uma classe artística mobilizada e diversificada e, de outro, a necessidade de ampliar o acesso a informações sobre políticas públicas e mecanismos de financiamento.
“Saio dessa Jornada com a sensação de que Itabira possui uma classe artística mobilizada, criativa e cheia de possibilidades. Quando conhecimento, organização e oportunidade caminham juntos, a cultura ganha força para transformar o presente e construir um futuro ainda mais potente”, afirmou Flaviano Souza e Silva.
Mentoria aproxima gestão da realidade das organizações
A Jornada chegou a uma etapa de aprofundamento entre 31 de agosto e 3 de setembro, quando Romulo Avelar voltou a Itabira para conduzir a Mentoria Produção para Grupos Artísticos e Entidades Culturais.
Nesse momento, o trabalho deixou de olhar apenas para a elaboração de propostas e passou a discutir a própria estrutura das organizações. A metodologia utilizada foi o Business Model Canvas, aplicada para analisar nove aspectos: proposta de valor, segmentos de público, canais de vendas, relacionamento com o público, atividades-chave, recursos-chave, parceiros, custos e receitas.
A organização interna ganhou espaço específico nos encontros. Cada grupo trabalhou a distribuição de funções por meio da elaboração de um organograma. Também foi realizado um levantamento de possibilidades de financiamento, que identificou 56 fontes e estratégias voltadas à cultura no Brasil.
A procura pela atividade fez com que os 11 grupos e entidades inscritos fossem acolhidos, embora a previsão inicial fosse de dez vagas. Participaram Ameviver, Associação do Bairro Major Lage, Associação Vila Ipoema, Bloco do Cemitério, Cajaína Cultural, Circo Massa, Collab Studio, Corporação Musical Santa Cecília de Rio Piracicaba, Instituto Cultural Festim, Planeta Panela e Viravoltear. Os representantes do Collab Studio não compareceram aos encontros.
Experiência compartilhada entre diferentes realidades
A presença de pessoas de diferentes municípios também ampliou a possibilidade de troca durante a Jornada. Yago Rios, participante da Jornada e integrante da Cajaína Cultural, participou das atividades buscando compreender processos de organização e sistematização que pudessem contribuir para o trabalho desenvolvido pelo coletivo.
Na avaliação dele, o contato com uma instituição que já possui experiência na participação em editais e na organização de seus processos, como o Grupo Galpão, pode abrir novas possibilidades para instituições que tradicionalmente constroem suas atividades a partir dos conhecimentos reunidos entre os próprios integrantes.
“Especificamente, a gente pegou a parte da Lei Rouanet. Nós, trazendo como exemplo a Cajaína Cultural, que é um coletivo artístico, tudo o que fazemos é juntando conhecimento: o que um sabe, um pouco do que o outro sabe. E reconhecer e assistir como funciona realmente essa sistematização dentro de uma organização maior, uma organização que já está solidificada, pode trazer para a gente possibilidades, abrir novos caminhos que talvez não estivéssemos habituados.”, contou.
A mesma perspectiva de levar o aprendizado para além da própria participação aparece no relato de Franciele Priscila Alexandrino Gomes Riciere, participante da Jornada, professora e regente da Corporação Musical Santa Cecília de Rio Piracicaba.
Moradora do Rio Piracicaba, ela participou da iniciativa pensando também nas demais corporações musicais da região do Médio Piracicaba. O interesse surgiu da percepção de que muitas instituições enfrentam dificuldades quando precisam buscar recursos e estruturar estratégias para financiar suas atividades.
A intenção, portanto, era retornar para a corporação levando informações que pudessem ser compartilhadas com as pessoas envolvidas na administração da banda. “Então, eu, como regente, vim com essa proposta de aprender para repassar para as pessoas que vão trabalhar comigo, para a gente começar a correr atrás e captar recursos.” destacou Franciele Riciere.
O aprendizado também foi associado por Franciele à possibilidade de fortalecer a atuação conjunta das corporações da região. “Desenvolver, fazer com que a banda cresça e fazer com que os nossos colegas de corporações da nossa região Médio Piracicaba consigam se fortalecer e criar uma grande uma grande rede apoiadora”, ressaltou.
Ao avaliar a experiência, ela resumiu a percepção sobre o percurso realizado: “E, assim, foi um curso muito bom. Eu acredito que os demais que fizeram, todo mundo saiu bem grato do que aprendeu”.
Conheça os ministrantes
Romulo Avelar é administrador e gestor cultural, com atuação reconhecida em todo o país nas áreas de produção, planejamento e gestão cultural. Ao longo de sua trajetória, ocupou cargos estratégicos em instituições públicas e privadas, incluindo a Fundação Clóvis Salgado, a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e a Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Foi consultor de planejamento do Grupo Galpão e da Casa do Beco, além de prestar assessoria a dezenas de artistas, grupos e instituições culturais. Autor dos livros “O Avesso da Cena: Notas sobre Produção e Gestão Cultural” e “Do Grupo Galpão ao Galpão Cine Horto: uma Experiência de Gestão Cultural”, já ministrou 216 cursos em 22 estados brasileiros e atuou profissionalmente em 117 cidades.
Flaviano Souza e Silva é artista, produtor cultural e especialista em elaboração de projetos. Bacharel em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), mestre em Artes
pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e formado em Administração Pública da Cultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), possui ampla experiência na gestão de projetos culturais e políticas públicas. É criador do método “A Fórmula dos Projetos Culturais”, por meio do qual já capacitou milhares de profissionais em todo o país. Entre seus números de atuação estão mais de 2 mil alunos matriculados em seu método, cerca de 40 mil participantes em oficinas online e 109 projetos aprovados na Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Sobre o Grupo Galpão
O Grupo Galpão, de Belo Horizonte (MG), é uma das companhias teatrais mais conhecidas do Brasil, tanto por seus quase 44 anos de atividade contínua quanto por sua pesquisa de linguagem.
Criado por cinco atores, em 1982, a partir do espetáculo “A Alma Boa de Setsuan”, montagem conduzida por diretores do Teatro Livre de Munique, da Alemanha, o Galpão se valeu dessa rica experiência para se lançar numa proposta de construção de um teatro de grupo, com raízes ligadas à tradição do teatro popular e de rua.
Ao montar espetáculos com diferentes diretores convidados, como Gabriel Villela, Cacá Carvalho, Paulo José, Yara de Novaes, Marcio Abreu e Rodrigo Portella, além dos próprios integrantes, o Galpão desenvolve um teatro que alia rigor e investigação de linguagens, com um repertório de grande comunicação com o público.
Seus trabalhos dialogam com o popular e o erudito, a tradição e a contemporaneidade, o teatro de rua e o palco, o universal e o regional brasileiro. Ao longo de sua trajetória, o grupo já realizou mais de 3.400 apresentações, alcançou público superior a 2 milhões de espectadores, percorreu cerca de 300 cidades e participou de mais de 80 festivais internacionais.
Galpão em números
Fundação: novembro de 1982;
27 espetáculos;
15 projetos audiovisuais;
2 000 000 espectadores;
100 prêmios brasileiros;
+3400 apresentações;
+ 300 cidades;
18 países diferentes;
+80 festivais internacionais;
+210 festivais nacionais.
FICHA TÉCNICA – GRUPO GALPÃO
Atores e atrizes do Grupo Galpão
Antonio Edson – Arildo de Barros – Beto Franco – Chico Pelúcio – Eduardo Moreira – Fernanda Vianna – Inês Peixoto – Júlio Maciel – Lydia Del Picchia – Paulo André – Simone Ordones – Teuda Bara (In Memoriam).
Conselho Executivo
Beto Franco, Eduardo Moreira, Fernando Lara, Gilma Oliveira e Lydia Del Picchia.
Equipe
Gerente Executivo – Fernando Lara
Coordenadora de Produção – Gilma Oliveira
Coordenadora Administrativa – Wanilda D’Artagnan
Coordenadora de Planejamento – Alba Martinez
Coordenadora de Comunicação – Fernanda Lara
Coordenador Técnico e Técnico de luz – Rodrigo Marçal
Produtora Executiva – Beatriz Radicchi
Técnico de Som – Vitor Castanheira
Técnico de Luz – William Bililiu
Supervisor administrativo – Cláudio Augusto
Assistente de Planejamento – Duda Carmona
Assistente de Comunicação – Lucy Ribeiro
Assistente Administrativo – Caroline Martins
Assistente de Produção – Zazá Cypriano
Assistente Técnico – William Teles
Serviços Gerais – Danielle Rodrigues
Design Gráfico – Cíntia Marques
Comunicação Digital – Rizoma Comunicação & Arte
Assessor Contábil – Wellington D’Artagnan
Gestora Financeira de Projetos – Artmanagers
Sobre a Vale
A Vale acredita que a cultura transforma vidas. É o maior apoiador privado da Cultura no Brasil, patrocinando e fomentando projetos em parcerias que promovem conexões entre pessoas, iniciativas e territórios. Seu compromisso é contribuir com uma cultura cada vez mais acessível e plural, ao mesmo tempo em que atua para o fortalecimento da economia criativa. Desde a sua criação, em 2020, o Instituto Cultural Vale já esteve ao lado de mais de 1.000 projetos em 24 estados e no Distrito Federal, contemplando as cinco regiões do país com investimento de mais de R$ 1,2 bilhão em recursos próprios da Vale e via Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. Dentre eles, uma rede de espaços culturais próprios, com visitação gratuita, identidade e vocação únicas: Memorial Minas Gerais Vale (MG), Museu Vale (ES), Centro Cultural Vale Maranhão (MA) e Casa da Cultura de Canaã dos Carajás (PA), que recebem mais de 400.000 visitantes por ano. Além disso, mais de 1.000 alunos são atendidos pelo Programa Vale Música. Onde tem Cultura, a Vale está. Visite o site do Instituto Cultural Vale: institutoculturalvale.org.
Realização: Vale e Grupo Galpão
