Congonhas vive crise ambiental após dois extravasamentos em minas da Vale
Congonhas, na região Central de Minas Gerais, enfrenta neste fim de janeiro de 2026 uma nova situação de alerta envolvendo atividades minerárias. Em menos de 24 horas, dois incidentes distintos em unidades da Vale provocaram o extravasamento de água com sedimentos, reacendendo o temor da população e levando à suspensão das operações das minas pela prefeitura.
Os episódios ocorreram nos dias 25 e 26 de janeiro. No domingo, houve o extravasamento de água e sedimentos de uma cava da Mina de Fábrica, localizada em Ouro Preto, mas com impacto direto sobre a região de Congonhas. O material transbordado atingiu a unidade Pires, da CSN Mineração, causando alagamentos de caráter operacional. Já na segunda-feira, um novo incidente foi registrado na Mina de Viga, em Congonhas, quando um poço de drenagem transbordou, despejando água com lama em cursos d’água locais.
Apesar da gravidade da situação, não houve rompimento de barragem de rejeitos. Segundo informações oficiais, o material liberado era composto por água misturada a terra e sedimentos. A lama atingiu o Rio Goiabeiras e o Rio Maranhão, principal curso d’água do município, que deságua no Rio Paraopeba. A estimativa é de que o volume de sedimentos liberado seja equivalente a cerca de 88 piscinas olímpicas.
O impacto psicológico do episódio foi imediato. O extravasamento ocorreu exatamente no dia em que se completaram sete anos da tragédia de Brumadinho, o que gerou pânico entre os moradores. Relatos da população indicam que as sirenes de emergência não tocaram, aumentando a sensação de insegurança e desconfiança em relação aos protocolos de prevenção.
Diante da reincidência de problemas na região, as autoridades adotaram medidas rigorosas. A Prefeitura de Congonhas suspendeu os alvarás de funcionamento das minas de Fábrica e Viga, interrompendo as operações da Vale nessas unidades. O Governo de Minas Gerais autuou a mineradora, enquanto o Ministério de Minas e Energia determinou que a Agência Nacional de Mineração investigue as causas dos incidentes.
Também foi montada uma sala de crise com a participação da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e órgãos ambientais. A força-tarefa acompanha de forma permanente a situação do Rio Maranhão e monitora possíveis novos vazamentos durante o período chuvoso.
Em nota, a Vale afirmou que os incidentes foram provocados pelas fortes chuvas registradas na região. A empresa reiterou que as barragens de rejeitos permanecem estáveis e seguras, e que não houve falha estrutural nessas estruturas. A Agência Nacional de Mineração confirmou que não houve comprometimento das barragens principais, apontando falhas nos sistemas de drenagem e contenção de águas pluviais das cavas.
Até o dia 29 de janeiro de 2026, não há registro de feridos ou mortos. As operações das minas seguem suspensas por determinação municipal, enquanto cresce a preocupação da comunidade e das autoridades com a capacidade de drenagem das estruturas da Vale e com a comunicação de risco junto à população em períodos de chuva intensa.

