No momento você está vendo Polilaminina coloca UFRJ no centro de avanço promissor contra lesões medulares

Polilaminina coloca UFRJ no centro de avanço promissor contra lesões medulares

  • Post author:

Pesquisa liderada por Tatiana Coelho de Sampaio chega à fase clínica e projeta ciência brasileira no cenário internacional

A ciência brasileira alcançou um marco relevante com o avanço das pesquisas sobre a polilaminina, desenvolvida pela Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, professora e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. O trabalho, conduzido na Universidade Federal do Rio de Janeiro, é resultado de quase três décadas de dedicação à pesquisa em biologia celular e regeneração nervosa.

A substância experimental, derivada da laminina — proteína naturalmente presente no organismo humano e essencial para a organização celular e o desenvolvimento do sistema nervoso — é apontada como uma nova perspectiva no tratamento de lesões medulares.

O que é a polilaminina

A polilaminina consiste na polimerização da laminina, formando uma estrutura semelhante a uma malha biológica. Aplicada no local da lesão, essa estrutura atua como um “andaime”, orientando neurônios a se reconectarem e restabelecerem a comunicação interrompida pelo trauma.

Especialistas explicam que o composto funciona como guia para as células nervosas, favorecendo a reorganização das conexões e, consequentemente, a recuperação de movimentos.

Relatos de recuperação

A pesquisa ganhou visibilidade nacional após relatos de pacientes que participaram de protocolos experimentais. Entre eles está Bruno Drummond de Freitas, bancário que recuperou movimentos considerados perdidos após um acidente grave. Outro caso citado é o de Nilma, artesã que voltou a ficar em pé e retomar atividades cotidianas após o tratamento experimental.

Os resultados impulsionaram o reconhecimento institucional da universidade. Em 2023, a descoberta gerou aproximadamente R$ 3 milhões em royalties para a UFRJ, o maior valor já recebido pela instituição até então por uma inovação científica.

Etapa clínica e próximos passos

Apesar do entusiasmo, a polilaminina segue em fase experimental. Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início da Fase 1 dos ensaios clínicos oficiais, etapa voltada à avaliação de segurança.

O protocolo inicial prevê o acompanhamento de cinco pacientes com lesões medulares agudas, que receberão dose única do composto em até 48 horas após o trauma.

A pesquisa conta com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) e parceria com o laboratório farmacêutico Cristália, responsável pela produção do medicamento.

Símbolo da ciência pública

O trabalho liderado por Tatiana Coelho de Sampaio tornou-se também símbolo da importância da pesquisa pública no Brasil. A cientista vem sendo homenageada por diferentes setores da sociedade e apontada como nome de projeção internacional na área de medicina regenerativa.

Embora ainda dependa das próximas fases de validação clínica, a trajetória da polilaminina reforça o potencial da inovação desenvolvida nas universidades públicas brasileiras, destacando a relevância de investimentos contínuos em ciência e tecnologia.

A trajetór