Vale e Biosolvit inauguram fábrica em Itabira para produção de supressor sustentável
Nova unidade instalada no município transforma garrafas PET recicladas em resina biodegradável para reduzir a poeira nas operações da mineração e ampliar a geração de renda para associações de catadores da região.
A Vale e a Biosolvit inauguraram, nesta segunda-feira (15), em Itabira, a segunda fábrica dedicada à produção do supressor sustentável de poeira feito à base de plástico PET reciclado. Com área de 960 metros quadrados, a planta terá capacidade para produzir até 1 milhão de litros de resina biodegradável por mês, reaproveitando mais de 24 toneladas de garrafas PET mensalmente, incluindo materiais de baixa reciclabilidade que antes seriam destinados a aterros sanitários.
O produto será utilizado nas operações da Vale em Minas Gerais com o objetivo de reduzir a propagação de poeira, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar. Segundo a empresa, a implantação da unidade também está alinhada ao plano estratégico Itabira Sustentável, ao trazer para o município uma nova atividade econômica e ampliar oportunidades de renda para famílias da região.
Desenvolvido pela Vale em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o supressor sustentável será produzido pela Biosolvit, que já mantém uma fábrica em Cariacica, no Espírito Santo. O investimento total da startup no projeto é de R$ 30 milhões. Com as duas unidades em operação, a expectativa é retirar do meio ambiente mais de 70 milhões de garrafas PET por ano.
O processo envolve a reciclagem química do plástico, que é transformado em uma resina biodegradável e não tóxica. O material é aplicado em pilhas de minério de ferro, vias não pavimentadas e carregamentos ferroviários, formando uma película protetora que reduz a dispersão de poeira.
Além do impacto ambiental, o projeto gera benefícios sociais. Inicialmente, cerca de 560 catadores de 12 associações de municípios como Itabira, Santa Bárbara, Barão de Cocais, João Monlevade, Rio Piracicaba, Ouro Preto, Mariana, Itabirito e Sabará fornecerão os recicláveis à fábrica. A estimativa é de aumento de até 30% na receita desses trabalhadores com a venda do PET.
As associações participantes são apoiadas pelo projeto Reciclo Agora, iniciativa da Vale voltada ao fortalecimento da gestão, infraestrutura e capacitação de catadores, com foco na economia circular. Atualmente, o programa atende 21 associações em Minas Gerais. No último ano, a empresa investiu R$ 700 mil no projeto, incluindo consultoria e a construção de um novo galpão em Itabira para melhorar as condições de trabalho da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Itabira.
A resina biodegradável utilizada no supressor é resultado de dez anos de pesquisa e de investimentos que somam R$ 12 milhões. O produto é inédito e patenteado pela Vale e pela Ufes, sendo apontado como exemplo da integração entre inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e impacto social no território itabirano.

