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Foto: Reprodução redes sociais Juliana_Martins

Brasileira morre em trilha na Indonésia após quatro dias de buscas: tragédia expõe riscos no Monte Rinjani

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Publicitária Juliana Marins, de 26 anos, caiu de uma altura de 300 metros durante trilha no vulcão Rinjani; resgate foi dificultado por clima severo e falhas estruturais nas operações locais

Na manhã de terça-feira, 24 de junho, foi confirmado o falecimento da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, após quatro dias de buscas intensas na região do vulcão Rinjani, na ilha de Lombok, Indonésia. A jovem, natural de Niterói (RJ) e publicitária formada pela UFRJ, viajava em um mochilão pela Ásia desde fevereiro e desapareceu durante uma trilha na madrugada do sábado anterior, dia 21.

Juliana fazia parte de um grupo de cinco turistas acompanhados por um guia local. Durante a subida por um trecho conhecido como Cemara Nunggal — localizado entre 2.600 e 3.000 metros de altitude —, ela despencou cerca de 300 metros por um penhasco íngreme e rochoso. A trilha, considerada de alto risco mesmo por montanhistas experientes, é marcada por terreno instável, ausência de sinalização, ventos fortes, neblina constante e total falta de infraestrutura de emergência.

Buscas dificultadas pelo terreno e clima

Após o desaparecimento, autoridades locais iniciaram uma complexa operação de resgate que envolveu voluntários, equipes do parque nacional, polícia florestal e o serviço de busca e salvamento da Indonésia. Juliana foi localizada por um drone térmico cerca de 500 a 650 metros abaixo do trajeto original, em uma encosta remota e de difícil acesso, sem abrigo, comida, água ou roupas adequadas.

A operação enfrentou obstáculos significativos. A densa neblina e a ausência de guinchos apropriados impediram o uso de helicópteros por mais de três dias. Já as equipes terrestres, utilizando cordas, furadeiras industriais e técnicas de escalada vertical, chegaram a descer entre 250 e 400 metros em tentativas anteriores, sem êxito. Apenas na terça-feira foi possível chegar até o corpo e confirmar o óbito.

Especialistas criticaram a condução da operação, destacando a falta de protocolos emergenciais no Parque Nacional do Rinjani. Segundo o engenheiro Marcelo Gramani, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), “o parque deveria dispor de procedimentos rápidos e eficazes para casos graves, o que poderia ter feito diferença no desfecho”.

Histórico de tragédias no Rinjani

Com 3.726 metros de altitude, o Monte Rinjani é o segundo vulcão mais alto da Indonésia e uma das trilhas mais procuradas do sudeste asiático. No entanto, a beleza da paisagem esconde riscos frequentes e subestimados. Em maio de 2025, um turista malaio de 57 anos morreu após queda semelhante. Em 2022, um português também faleceu na região do cume, e, em 2018, um terremoto causou desabamentos que resultaram em 17 mortes e mais de 300 feridos entre turistas.

O vulcão é ativo, com registros de erupções recentes, inclusive em novembro de 2024, quando uma atividade no cone secundário Barujari interrompeu voos e reforçou alertas para a instabilidade do local.

Homenagens e comoção

Juliana era conhecida nas redes sociais, onde compartilhava fotos e relatos de sua jornada pela Ásia — que já incluía Filipinas, Vietnã e Tailândia. Seu perfil chegou a ultrapassar 1,5 milhão de seguidores durante os dias de busca, em meio à mobilização online de amigos e familiares.

O Itamaraty acompanhou de perto o caso, com apoio da embaixada brasileira na Indonésia e articulação junto ao governo local. Familiares agradeceram as manifestações de solidariedade e destacaram a força e o espírito aventureiro de Juliana, que encontrou na viagem uma forma de conexão com o mundo.

Reflexões sobre segurança

A tragédia da jovem brasileira escancara os riscos enfrentados por turistas em trilhas de alta montanha na Indonésia, especialmente diante da ausência de estrutura adequada, resposta rápida e protocolos eficazes de resgate. O caso gera pressão sobre autoridades locais para que sejam revistos os critérios de segurança e orientação a visitantes.

Juliana Marins deixa uma memória marcada pela liberdade, coragem e pelo desejo de conhecer o mundo — e uma pergunta inevitável: quantas tragédias ainda serão necessárias para que o turismo de aventura seja tratado com a seriedade e a responsabilidade que merece?

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